Home / Produção e Consumo de Cimento no Brasil

Produção e Consumo de Cimento no Brasil

22 de março de 2016

Fonte: SNIC

SNICAssociacaoBrasileira
DADOS DE PRODUÇÃO E CONSUMO DE CIMENTO NO BRASIL
A indústria do cimento gera um produto homogêneo, totalmente consumido nas construções em seus diferentes segmentos. Da mais simples obra habitacional até a mais complexa obra de infraestrutura, a demanda de cimento é condicionada pelo nível de atividade da indústria da construção civil, que por sua vez depende dos investimentos do setor público (obras de infraestrutura), do poder de compra do setor privado (obras habitacionais, comerciais, e industriais), do crédito e da renda real. Portanto, a dinâmica de crescimento do setor depende de programa sustentável de longo prazo para a construção civil.
Grandes obras emblemáticas e isoladas impactam pouco no consumo de cimento. A construção de uma grande hidrelétrica consome entre 600 e 700 mil toneladas de cimento durante toda sua obra (cerca de 5 anos), ou seja, representa, por ano, cerca de 0,2% do consumo de 71 milhões de 2014. Para construir um estádio de futebol é necessário, em média, de 20 a 25 mil tonelada de cimento ao longo de 2 anos, uma participação muito pequena se comparado com o total de cimento consumido em um ano.
Os dados de consumo e produção de cimento no Brasil ao longo dos anos encontram-se nos Anexo 1 e 2.
Cenário Atual da Indústria do Cimento
A partir de 2015 a economia como um todo vem sofrendo uma forte crise, com fraco desempenho em diversos setores. O PIB caiu 3,8%, sendo que a queda do setor de serviço foi de 2,7%, enquanto que o setor industrial desabou 6,2%.
O desemprego atingiu 8,5%, o rendimento real médio do brasileiro retraiu 3,7% e a inflação ultrapassou a meta estipulada pelo Banco Central e chegou a 10,67% em 2015.
A atividade da construção civil foi 7,6% menor em 2015 com relação a 2014, e na indústria do cimento não poderia ser diferente, com retração de 9,5% no consumo do insumo, totalizando 65 milhões de toneladas, ou seja, retornamos ao nível de consumo em 2011. A restrição dos gastos públicos em construção e o aumento da taxa de juros levou a cadeia da construção para uma recessão profunda, que inviabiliza a tomada de empréstimos para o financiamento de investimentos.

Grafico1
A perspectiva para 2016 e 2017 é da continuidade da recessão. O SNIC está esperando uma retração no consumo de cimento entre 12% e 15% em 2016. O aumento dos custos de produção (energia elétrica, cambio, etc) e o alto endividamento das empresas (proveniente dos investimentos realizados nos anos anteriores) dificultam ainda mais a sobrevivência de algumas empresas. Para tentar permanecer no mercado e passar por essa crise, algumas empresas já anunciaram o fechamento de unidades, procurando racionalizar seus custos. Esse péssimo cenário e as perspectivas futuras são um panorama encontrado em todas as regiões do país.

Grafico2
Características Estruturais do Produto e da Indústria do Cimento

a- O produto Cimento
Cimento Portland é o produto de uma atividade industrial integrada, a partir da exploração e beneficiamento de substâncias minerais (calcário e argila), sua transformação, através de moagem e homogeneização e posterior processamento físico/químico em clínquer (cimento não pulverizado) e moagem.
Na forma de concreto (cimento + areia + brita), é parte fundamental da cadeia produtiva da indústria da construção, pois atende às necessidades de cada obra, características que o tornam o segundo material mais utilizado pelo homem, ficando somente atrás do elemento água.
Com baixa taxa de substituição em obras civis, o cimento é imprescindível, do início ao fim, em todo tipo de construção. Ele pode ser empregado tanto em peças de mobiliário urbano como em grandes barragens, em estradas ou edificações, em pontes, tubos de concreto ou telhados.
O cimento é uma commodity, pois é um produto homogêneo, com variedade limitada de tipos e com especificações e processos de fabricação normatizadas e semelhantes globalmente.
Necessita de condições especiais de estocagem por prazo limitado, pois é perecível (não pode receber umidade) e ocupa grandes espaços. É comprado e utilizado conforme o andamento da obra, portanto não existem estoques reguladores nas fábricas, revenda ou consumidores.
Tem uma baixa relação preço/peso, fazendo com que o frete impacte significativamente no seu preço final. O que torna muito baixa as trocas internacionais.
b- Características da Indústria
A indústria de cimento é uma integração entre as atividades de mineração e industrial.
Elevadas economias de escala – A fábrica padrão com escala mínima eficiente de produção é de um milhão de toneladas ao ano.
Alto investimento inicial – O capital inicial requerido para a instalação de uma unidade padrão é de cerca de US$ 300 milhões.
A instalação de uma nova unidade industrial leva de três a cinco anos para entrada em operação.
Longo prazo de maturação do investimento – A ocupação plena da capacidade instalada da unidade produtora permite o retorno do investimento no prazo estabelecido no projeto. Qualquer alteração nas condições normais de operação da unidade alteram essas premissas.
Demanda do Cimento
Para se analisar a evolução da demanda de cimento é preciso analisar a evolução do desempenho da construção civil e do comportamento econômico do país, em seus diversos ciclos.
O consumo brasileiro de cimento nas últimas cinco décadas, bem como as questões macroeconômicas que explicam a evolução desse consumo, pode ser observado no gráfico abaixo:

Grafrico3Fonte: SNIC; Cembureau
Evolução da Demanda do Cimento e os Ciclos Econômicos
Na busca para produzir o cimento necessário ao desenvolvimento do país, a história da indústria do cimento tem sido de enfrentamento de grandes desafios, em decorrência de conjunturas econômicas distintas. Nos últimos 50 anos é possível identificar três ciclos econômicos que ditaram o ritmo do consumo de cimento:
a- Ciclo Milagre Econômico
Durante o período de forte crescimento econômico ocorrido no Brasil na década de 70 (Milagre Econômico), houve grande expansão da atividade da construção civil no país. Os programas habitacionais desenvolvidos pelo BNH, com recursos do FGTS, a lei do inquilinato e novas fontes de financiamento provocaram uma grande expansão da construção habitacional. Paralelamente, grandes obras de infraestrutura foram realizadas pelo governo, como a construção de estradas, barragens, hidrelétricas e obras de desenvolvimento urbano.
Esse crescimento da atividade da construção civil provocou um consistente e elevado crescimento na demanda por cimento. Isso motivou o investimento na expansão do parque industrial cimenteiro, feito não só pelos grupos que já operavam, mas também com entrada de 10 novos grupos produtores – nacionais e estrangeiros. Nesse período, foram construídas 24 novas unidades industriais.
b- Estagnação e Consolidação do Mercado
Ao final da década de 1970, após a 2ª crise do petróleo, a economia brasileira entrou em grave crise – em particular a construção civil, afetando de forma acentuada o consumo de cimento, que viu sua demanda cair e, exceto por alguns poucos episódios de elevações circunstanciais (plano cruzado, plano real) se manteve estagnada por mais de duas décadas, pois não houve nesse período nenhum programa sustentável para a construção civil.
O setor teve que se adequar à nova realidade de um mercado retraído, que provocou elevado grau de endividamento das empresas. Nesse processo, várias unidades de menor eficiência e custos operacionais mais altos foram desativadas: definitivamente 10 fábricas integradas; temporariamente 2 unidades; e 5 foram transformadas em moagem. Além disso, os fornos de maior consumo energético, também foram definitivamente desativados.
Nesse período ocorreu também a consolidação do mercado cimenteiro, onde diversas empresas deixaram de participar, transferindo o controle acionário para grupos locais ou internacionais.
c- Retomada do Crescimento em 2004
A partir de 2004 diversos fatores colocaram a indústria do cimento de volta no rumo do crescimento. Além do ambiente macroeconômico favorável, o aumento da renda real e da massa salarial real, expansão do crédito imobiliário por parte do governo e por bancos privados e o crescimento dos investimentos em obras de infraestrutura foram fundamentais para a alavancagem da construção civil e consequentemente do consumo de cimento.
Outro fator importantíssimo para essa recuperação foi o chamado marco regulatório imobiliário, através da Lei n°10.931/2004 e a Resolução n°3.177 do Banco Central. Essas medidas trouxeram um melhor ordenamento jurídico no setor da construção imobiliária e possibilitaram a capitalização das construtoras e incorporadoras no mercado acionário.

Programas do governo, tais como o minha casa minha vida e o PAC, também impulsionaram o setor da construção civil, tanto na parte habitacional quanto na de infraestrutura.

Grafico4
Entre 2004 e 2014 o consumo de cimento mais que dobrou, saindo de 35 milhões de toneladas para mais de 70 milhões, um movimento sustentável e presente em todas as regiões do país. Esse forte aumento e a perspectiva da continuidade desse crescimento fez com que as empresas produtoras de cimento investissem maciçamente no parque industrial. Com isso, nesse período, foram inauguradas 36 novas fábricas, além das expansões de unidades já existentes. Foram mais de R$15 bilhões investidos em todas as regiões do país. Existem, ainda, outros projetos em fase de construção, o que aumentará mais o número de unidades fabris.

Grafico5

Grafico6

Grafico7

16991 Visualizações Totais 3 Visualizações Hoje